Treinamento de Pastores: Uma prioridade para uma estratégia de ministério global (ATUALIZADO)

Jason Tan shares what our posture should be during this time of worldwide panic. Repentance starts with us.
“Eis- me aqui, Envia-me a mim!” Um chamado ao arrependimento (Isaías 6.8b)
April 17, 2020

Treinamento de Pastores: Uma prioridade para uma estratégia de ministério global (ATUALIZADO)

This post is also available in: enEnglish (Inglês) esEspañol (Espanhol)

Nota do editor: este artigo foi publicado originalmente no site do Movimento Lausanne e também foi destaque no Christianity Today.

Neste artigo, considero a prioridade estratégica do treinamento pastoral para parcerias intencionais de ministério e missões globais. Também proponho considerações práticas para estrategistas e profissionais em treinamento pastoral – sejam eles indivíduos ou igrejas, mas especialmente para programas formais e institucionais, bem como para iniciativas organizacionais não formais.

Exemplos em todo o mundo: a necessidade de treinamento pastoral

Recentemente, a Irmandade Nacional de Pentecostais Nascidos de Novo entrou informalmente em contato com a Escola Evangélica de Teologia de Kampala (Uganda) pedindo ajuda para o treinamento básico de seus pastores – 30.000 deles. Existe alguma forma de uma oportunidade como essa ser efetivamente aproveitada por uma instituição iniciante como o seminário local, ou mesmo através de modelos residenciais mais maduros baseados em campus na África e além?

São Gonçalo, subúrbio do Rio de Janeiro, cidade sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016, calcula a média de uma nova igreja todos os dias da semana. Quem pastoreará essas congregações na América Latina depois da empolgação inicial? O que acontece depois do plantio da igreja?

Terremotos devastaram o Nepal entre abril e maio de 2015. Tive um encontro com quase 200 pastores e esposas nepaleses para um dia de descanso e restauração. Eles mal haviam dormido ou se alimentado. No entanto, eles haviam trabalhado muito. Tendo consolado suas congregações durante a terrível perda de vidas e propriedades, eles continuaram a mobilizar os crentes para servir a comunidade não cristã, enquanto eram publicamente suspeitos de terem como motivação final apenas a “conversão cristã”. Independente disso, eles também estavam preocupados com o bem estar, com a reconstrução e com o eventual desenvolvimento de suas comunidades.

Os leitores poderiam fornecer uma série de histórias em que a saúde do pastor é crítica para a saúde da igreja (e vice-versa também); com a saúde da igreja, positiva ou negativamente, afetando a saúde da comunidade.

Quatro realidades globais: Quatro realidades globais moldam decisões profundas e ações decisiva em relação a esta estratégia de ministério global:

1. O mundo

Um aplicativo em meu celular mostra que a população mundial é de 7,5 bilhões de indivíduos em meados de 2017. Uma comparação para destacar essa imensidão: pouco mais de um bilhão de minutos se passaram desde os tempos do Senhor Jesus, e não muito mais do que dois bilhões de minutos desde Moisés até agora. Um grande número de pessoas significa oportunidades em larga escala e perdas maciças em tragédias. Precisamos de uma estratégia escalável de escopo global para promover o Senhor Jesus a um grande número de pessoas em todo o mundo.

2. A fé

Cerca de 2,3 bilhões de cristãos auto-identificados compõem a fé. Nós os chamamos de cristãos do ‘censo’, ou seja, que escolheram o ‘cristianismo’ como religião em detrimento de outras opções. A Comissão Teológica da WEA estima que diariamente 50.000 novos crentes são batizados.1 Como podemos influenciar os cristãos nominais na salvação pessoal e no discipulado cristão? Como a saúde da igreja pode acompanhar o crescimento da igreja? Como podemos nutrir a fé embrionária de tantos?

3. A igreja

A Aliança Global de Multiplicação de Igrejas levantou uma preocupação séria em outubro de 2013. Enquanto eles prevêem a plantação de 5 milhões de igrejas até 2020, eles supõem uma taxa de falha impressionante de até 70% no primeiro ano. Como podemos preservar o fruto dos incríveis esforços para a plantação de igrejas? Como lidamos com questões de sustentabilidade para justificar os enormes custos humanos e financeiros desses incríveis trabalhos e respostas?

4. Líderes pastorais

Mais de 2,2 milhões de líderes pastorais (e até 3,4 milhões, segundo algumas estimativas) atualmente ministram, enquanto “apenas 5% são treinados para o ministério pastoral”, de acordo com o Centro para o Estudo do Cristianismo Global.2 Assim, mais de 2 milhões de líderes pastorais precisam de fortalecimento imediato para seus ministérios pastorais. Além disso, 1.000 novos pastores são necessários diariamente para servir os 50.000 novos crentes batizados todos os dias – se um líder pastoral for capaz de inicialmente fornecer assistência pastoral a um grupo de 50 crentes. Estamos um pouco atrasados. Como podemos acelerar o ritmo do treinamento pastoral (um desafio aos modelos formais de treinamento pastoral) e aumentar a qualidade (um desafio às iniciativas ad-hoc e não formais de treinamento pastoral) em todos os lugares?

Treinamento colaborativo e multiplicativo

Posso sugerir que o treinamento pastoral colaborativo e multiplicativo de um grande número de líderes pastorais possa efetivamente e eficientemente abordar as oportunidades e os perigos incorporados nas quatro realidades acima?

Em 2010, a Cidade do Cabo levantou informalmente essa necessidade.3 Todos os envolvidos no treinamento pastoral, seja por meio de instituições formais ou por meios não formais, foram convidados para uma reunião na hora do almoço. Centenas de líderes apareceram para compartilhar a visão do treinamento pastoral e apoiar a causa. Depois que as portas se fecharam, tivemos que reagendar uma segunda reunião de almoço. Novamente, dezenas apareceram para apresentações e conversas.

Uma página contendo a  Declaração dos Treinadores de Pastores na Cidade do Cabo foi elaborada com referência especial ao compromisso entre os treinadores de pastores dos setores formal e não formal de trabalharem juntos no espírito do Movimento de Lausanne. O documento declara:

Uma vez que os setores formal e não formal de treinamento pastoral têm, consciente e inconscientemente, nos dividido em corações e esforços, declaramos juntos que vamos nos esforçar para construir confiança, envolver-nos mutuamente e alavancar os pontos fortes de cada setor com o fim de preparar pastores maduros para a proclamação da Palavra de Deus e edificação da Igreja de Cristo em todas as nações do mundo.

Congresso de Proclamação Global para Treinadores de Pastores 2016

O Congresso de Proclamação Global para Treinadores de Pastores, realizado de 15 a 22 de junho de 2016 em Bancoque, Tailândia, foi um   passo importante para um melhor treinamento de um maior número de líderes pastorais.4

Este evento de nicho, com um público específico e focado em tarefas, testemunhou 2573 treinadores de pastores que ministram em 101 países diferentes, reunindo os setores de treinamento pastoral formal e não formal. Os objetivos do Congresso GPro eram: construir comunidade, explorar oportunidades, descobrir recursos e promover encorajamento mútuo. Um plano de acompanhamento de quatro anos implementado após o evento de oito dias está criando um canal global para o treinamento pastoral que é sustentável, mensurável e até mesmo renovável para a liderança da igreja local em qualquer lugar.

Conclusão: prioridade ministerial global

O fortalecimento dos líderes pastorais – formando, treinando e unindo-os – precisa ter maior prioridade e receber uma proporção maior de interesse e atenção ministerial entre as muitas metodologias, estratégias e iniciativas nas missões hoje. De fato, os ministérios sociais, de presença evangelística e de plantação de igrejas precisam ser apoiados por iniciativas de treinamento pastoral, que realmente devem ser vistas como seu ápice. Por quê?

Inicialmente, a entrada em culturas e povos pode advir de iniciativas de compaixão – seja em medicina, educação, assistência e desenvolvimento, justiça ou questões relacionadas ao tráfico de pessoas.

 

Então, sobre essas plataformas de boa vontade, longas e curtas, grandes e pequenas, a evangelização acontece (ou parecemos organizações seculares não-governamentais).

Depois disso, além do evangelismo, vem a plantação de igrejas. No entanto, após a plantação de igrejas, o que se segue?

O fortalecimento dos pastores deve estar no topo da estratégia de missões, pois estrategistas e executores costumam buscar líderes pastorais locais para endossar e aconselhar sobre onde cavar poços, exibir filmes sobre Jesus e plantar novas igrejas.

Em suma:

Recomendo o treinamento pastoral como um complemento necessário e da mais alta prioridade para a implementação de todas as iniciativas ministeriais em nível global e local, uma vez que:

  • Justifica o custo e preserva o fruto de outros esforços ministeriais sacrificiais e bem-sucedidos.
  • Protege as igrejas de uma saúde espiritual desastrosa que, de outra maneira, as espera.
  • Despovoa o inferno do maior número de pessoas que estão em uma situação terrena e enfrentando um destino eterno sem Cristo.
  • Ajuda a corrigir as falsas concepções de fé e culturais a respeito do Cristianismo quando os crentes locais permeiam suas esferas sociais.
  • Impede que o crescimento da igreja seja um mero fenômeno sociológico.
  • Multiplica e sustenta a futura liderança da fé.

Freqüentemente, pastores mal atendidos e isolados estão no local a longo prazo; eles custam menos e são mais relevantes para seus contextos. Eles são, portanto, os principais colaboradores e que precisam urgentemente de treinamento, habilidades e relacionamentos. Portanto, a construção de um canal global para oferecer-lhes treinamento pastoral como foco e base de todos os esforços ministeriais cumpre significativamente os mandatos finais de nosso Senhor Jesus. Aprimorar a saúde pastoral em todos os lugares acelera a saúde da igreja em qualquer lugar e promove saúde espiritual em todo o mundo.


1 Em sua plenária na Consulta sobre Educação Teológica de Lausanne, em junho de 2014, Thomas Schirrmacher apresentou a visão da WEA e de sua Comissão Teológica de que cerca de 50.000 pessoas (que não são de origem cristã e não têm nenhum conhecimento básico da Bíblia) são batizadas por dia nas igrejas evangélicas em todo o mundo.
2 A partir da correspondência pessoal do autor e confirmação com Todd Johnson, Diretor, Centro para o Estudo do Cristianismo Global, 8 de julho de 2015.
3 Nota do editor: Cidade do Cabo 2010 é outro nome para o Terceiro Congresso de Lausanne sobre Evangelização Mundial. Veja http://www.lausanne.org/gatherings/congress/cape-town-2010-3.
4 Veja GProCommission.org.

SOBRE O AUTOR: Dr. Ramesh Richard atua como fundador e presidente da RREACH; convocador geral do Congresso de Proclamação Global para Treinadores de Pastores 2016; professor de Engajamento Teológico Global e Ministérios Pastorais no Seminário Teológico de Dallas; e fundador e presidente da Coalizão Internacional de Formadores de Pastores. É formado em Teologia Sistemática pelo Dallas Theological Seminary e doutor em Filosofia pela Universidade de Delhi.

Os comentários estão encerrados.